sexta-feira, 5 de julho de 2013

ATO I

(A "mulher peixe" sai da água e fala freneticamente):

Sinceramente, não sei se quero continuar com essa discussão. Estamos cansados e, talvez por isso, velhos pra tanto charme. A busca é longa e permanente, mas é partilhada e é pra frente! 

(Ela pensa que tem pouco tempo na superfície).

Ainda dá pra ouvir o repique, mas a gente não dança, não é? Então por quem meu coração balança? 
Aqui não há delicadeza, as coisas crescem como são e assim, curiosamente, formam camadas rústicas de solidão. E todos se enganam. Abafam, sufocam, mas continuam belíssimos a valsa do "tudo bem, meu bem".

(Seu tempo está raro).
 
Sei que você não concorda com nada disso, mesmo assim ... é, eu entendo. Mesmo assim não é bom criticar; é preciso aceitar.
Somos essas camadas. Aceite, por que apagar o que foi visto (e desejado) acaba com a vida.

(Despede-se entrando na água falando cada vez mais baixo):

O tempo é seu. Não queria continuar a discussão... 
O tempo é meu. 




Ohana Homem

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