segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O Nariz ou Entre os Olhos e a Boca

A idade batia e a energia também, ainda que a primeira vista tenham pensado o contrário. Havia de ser assim, ele era sisudo demais e ela (que moça fácil!) pensava que sisudo era quem tinha siso, o dente do juízo. 
-Quem tem dentes sorri e quem não tem... sorri engraçado. 
Sorria,  mas era prudente. Focava nos olhos dela tentando identificar o que tanto o impressionava. Já convivera com mulheres mais bonitas, mais inteligentes, mais talentosas, mais engraçadas... mais, mais, mais... pensava e ponderava todos os segundos do olhar dela pra ele. 
A moça que só olhava e nada pedia... Era perturbador tamanha conexão. 
Não conseguia negar o carinho e nem fazia questão de tentar, mas ainda tinha uma tristeza doida e doída. Ela deu amor de graça e isso não combinava com o mundo. Ela era a sua perturbação: sim/vem do meu lado/me guia/me da a mão.
Era fácil, mas não óbvia. 
O tempo foi curto e não quantificou ou qualificou nenhum sentimento - ela aceitou o fluxo e ele foi embora. O  coração dela - conectado com a vida - guarda os olhos curiosos já com muita saudade dos instantes sinceros destes encontros tão casuais.


Ohana Homem.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

ATO I

(A "mulher peixe" sai da água e fala freneticamente):

Sinceramente, não sei se quero continuar com essa discussão. Estamos cansados e, talvez por isso, velhos pra tanto charme. A busca é longa e permanente, mas é partilhada e é pra frente! 

(Ela pensa que tem pouco tempo na superfície).

Ainda dá pra ouvir o repique, mas a gente não dança, não é? Então por quem meu coração balança? 
Aqui não há delicadeza, as coisas crescem como são e assim, curiosamente, formam camadas rústicas de solidão. E todos se enganam. Abafam, sufocam, mas continuam belíssimos a valsa do "tudo bem, meu bem".

(Seu tempo está raro).
 
Sei que você não concorda com nada disso, mesmo assim ... é, eu entendo. Mesmo assim não é bom criticar; é preciso aceitar.
Somos essas camadas. Aceite, por que apagar o que foi visto (e desejado) acaba com a vida.

(Despede-se entrando na água falando cada vez mais baixo):

O tempo é seu. Não queria continuar a discussão... 
O tempo é meu. 




Ohana Homem

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Aconchego

Assim mesmo, com o nariz colado na minha vida.
Assim mesmo é que se encara... pode olhar...
O outro vai enxergar além do óbvio? 
O que deu. Sem um centímetro de distância, fale. Mas não perca o foco, não perca o cheiro.

Não lembro onde é a casa, nem quando frequentei essa conferência com mapas e lugares estranhos... Fomos um dia? Qualquer coisa, nem importa o que seja. Fomos o que deu?

Aproxime o que der. Consegue ver de perto ou a visão embaralha?
Precisa recuar um passo? A realidade, não é?
Nem sempre.
Qual será o perfil limpo ou lindo? De ser... sendo...  o que for...

Ohana Homem