A idade batia e a energia também, ainda que a primeira vista tenham pensado o contrário. Havia de ser assim, ele era sisudo demais e ela (que moça fácil!) pensava que sisudo era quem tinha siso, o dente do juízo.
-Quem tem dentes sorri e quem não tem... sorri engraçado.
Sorria, mas era prudente. Focava nos olhos dela tentando identificar o que tanto o impressionava. Já convivera com mulheres mais bonitas, mais inteligentes, mais talentosas, mais engraçadas... mais, mais, mais... pensava e ponderava todos os segundos do olhar dela pra ele.
A moça que só olhava e nada pedia... Era perturbador tamanha conexão.
Não conseguia negar o carinho e nem fazia questão de tentar, mas ainda tinha uma tristeza doida e doída. Ela deu amor de graça e isso não combinava com o mundo. Ela era a sua perturbação: sim/vem do meu lado/me guia/me da a mão.
Era fácil, mas não óbvia.
O tempo foi curto e não quantificou ou qualificou nenhum sentimento - ela aceitou o fluxo e ele foi embora. O coração dela - conectado com a vida - guarda os olhos curiosos já com muita saudade dos instantes sinceros destes encontros tão casuais.
O tempo foi curto e não quantificou ou qualificou nenhum sentimento - ela aceitou o fluxo e ele foi embora. O coração dela - conectado com a vida - guarda os olhos curiosos já com muita saudade dos instantes sinceros destes encontros tão casuais.
Ohana Homem.