segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O Nariz ou Entre os Olhos e a Boca

A idade batia e a energia também, ainda que a primeira vista tenham pensado o contrário. Havia de ser assim, ele era sisudo demais e ela (que moça fácil!) pensava que sisudo era quem tinha siso, o dente do juízo. 
-Quem tem dentes sorri e quem não tem... sorri engraçado. 
Sorria,  mas era prudente. Focava nos olhos dela tentando identificar o que tanto o impressionava. Já convivera com mulheres mais bonitas, mais inteligentes, mais talentosas, mais engraçadas... mais, mais, mais... pensava e ponderava todos os segundos do olhar dela pra ele. 
A moça que só olhava e nada pedia... Era perturbador tamanha conexão. 
Não conseguia negar o carinho e nem fazia questão de tentar, mas ainda tinha uma tristeza doida e doída. Ela deu amor de graça e isso não combinava com o mundo. Ela era a sua perturbação: sim/vem do meu lado/me guia/me da a mão.
Era fácil, mas não óbvia. 
O tempo foi curto e não quantificou ou qualificou nenhum sentimento - ela aceitou o fluxo e ele foi embora. O  coração dela - conectado com a vida - guarda os olhos curiosos já com muita saudade dos instantes sinceros destes encontros tão casuais.


Ohana Homem.